30 de dezembro de 2016

Período Permiano

Inostrancevia ataca Scutosaurus, na Rússia do final do Permiano.
© Mauricio Antón

Último período da era Paleozoica, o Permiano ou Pérmico sucedeu o Carbonífero - sendo o período seguinte (o Triássico) pertencente à era Mesozoica. Compreende o tempo entre 290 e 251 milhões de anos atrás. É subdividido nas épocas Cisuraliana (mais antiga), Guadalupiana e Lopingiana (mais recente). O nome Permiano, definido em 1841 pelo geólogo Roderick Murchison, vem de Perm, cidade no oeste da Rússia com grandes formações rochosas desse período.

Tabela do tempo geológico em escala
© Mundo Pré-Histórico

Os continentes convergiam, reunindo praticamente todas as terras emersas do globo. Em meados do Permiano, estava formado o supercontinente Pangeia, que estendia-se de norte a sul. O restante da superfície do planeta era coberto pelo superoceano Pantalassa.
Devido à imensa concentração das massas terrestres, o interior do continente tornava-se cada vez mais seco, longe dos ventos que traziam a umidade do mar. As regiões úmidas e pantanosas diminuíam, as grandes florestas desapareciam e o nível de oxigênio na atmosfera era reduzido a um nível semelhante ao atual.

Disposição dos continentes no Permiano
© Dr. Ronald Blakey, Universidade do Norte do Arizona
(Com modificações)


Sobrevivendo ao deserto


Pareiassauros eram répteis herbívoros e entroncados, de cauda curta e cabeça pequena. A exemplo do Bunostegos, seus crânios pesados eram ornamentados com vários nódulos ósseos.

Plantas e animais tiveram de se adaptar às condições mais áridas. Entre os vegetais, ganharam espaço as plantas que produziam sementes (gimnospermas), entre elas, as chamadas samambaias com sementes, cicadófitas, ginkgófitas e, principalmente, as coníferas - estas últimas viriam a predominar durante centenas de milhões de anos.
Com menos oxigênio disponível, os artrópodes gigantes que vagavam pelas florestas do Carbonífero começavam agora a desaparecer, mas surgiam os primeiros besouros e percevejos. Os anfíbios sofreram uma grande perda de diversidade, enquanto os amniotas, menos dependentes da água para se reproduzirem, passavam a dominar em quase todos os continentes.

O sinápsida Dimetrodon viveu no início do Permiano.
Arte por Danielle Dufault/Cortesia de Kirstin Brink

A diversificação dos amniotas deu-se em duas grandes linhagens: os saurópsidas (Sauropsida, "rostos de lagarto"), grupo que inclui os répteis, aves e seus ancestrais, e os sinápsidas (Synapsida, "arco fundido"), grupo que mais tarde daria origem aos mamíferos. Em meados do Permiano, surgiu um importante grupo de sinápsidas, os terapsídeos (Therapsida), que diferenciavam-se por manter seus membros eretos, abaixo do corpo. No final do período, apareceram os saurópsidas arcossauriformes (Archosauriformes), ancestrais dos crocodilos e dinossauros.
Nos mares havia muitas espécies de briozoários (pequenos invertebrados coloniais), foraminíferos (organismos unicelulares com pseudópodes), braquiópodes (animais de corpo mole com conchas) e amonites.

Recife de coral permiano
© Museu Americano de História Natural/D. Finnin

A Grande Agonia


O peculiar Helicoprion se destaca, ao lado do peixe Menaspis, em um cenário catastrófico.
© 2004 Weldon Owen

O final do Permiano é marcado pela maior extinção em massa já registrada na história da Terra: a Extinção Permo-Triássica, conhecida como "A Grande Agonia". Muito mais severa que a extinção que matou os dinossauros, ela eliminou cerca de 96% das espécies marinhas e 70% das espécies terrestres, gerando consequências devastadoras para a biodiversidade.
A causa desse evento foi, provavelmente, uma combinação de fatores, o principal deles sendo as gigantescas inundações de basalto que ocorreram na Sibéria há cerca de 251 milhões de anos. Cobrindo mais de 2 milhões de km² com lava, as erupções de basalto teriam liberado na atmosfera enormes quantidades de dióxido de carbono, além do metano aprisionado no fundo oceânico, provocando um mortal efeito estufa que teria aumentado a temperatura da Terra em até 5ºC. Isso fez aumentar também a temperatura dos mares, alterando as correntes oceânicas e reduzindo a capacidade de dissolução do oxigênio na água. A falta de oxigênio acabou por sufocar grande parte da vida marinha.

Os corais rugosos (ordem Rugosa) eram abundantes desde a metade do Ordoviciano, mas foram totalmente eliminados dos mares há 251 milhões de anos. 
Ilustração do livro Kunstformen der Natur (1904), de Ernst Haeckel

A maior parte dos braquiópodes, briozoários, foraminíferos, crinoides, amonites e gastrópodes desapareceram. Além deles, todas as espécies de peixes acantódios, trilobitas, blastoides, corais rugosos, corais tabulados e escorpiões-marinhos foram extintas.
Em terra, os grandes herbívoros foram os mais afetados. Restou menos de um terço das famílias de anfíbios labirintodontes, saurópsidas e terapsídeos. Até mesmo os insetos experimentaram sua primeira - e única - extinção em massa. Os grupos sobreviventes de seres vivos sofreram perdas drásticas de espécies, tendo alguns escapado por pouco. Lentamente, no entanto, a vida foi se restabelecendo, embora tenha levado 30 milhões de anos para que os ecossistemas terrestres se recuperassem por completo.
Este foi o triste fim do período Permiano e também da era Paleozoica. Mas, por outro lado, esse desastre deu oportunidade para que a vida evoluísse e outros animais importantes se desenvolvessem. A partir de então, começa uma nova era, a Mesozoica: a era dos dinossauros!


Os peixes acantódios (Acanthodii), que já estavam em declínio desde o Devoniano, também se extinguiram. Na imagem, a espécie Acanthodes gracilis.
© Jiří Svoboda

Fontes: Unesp, UERJInfoEscola, Wikipedia (versão em inglês), Universo Racionalista e Quora.

5 comentários:

  1. Só faltava esse pra ficr completo

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    1. Isso aí! Última postagem do ano e da série sobre o Paleozoico.

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  2. Anônimo4/1/17

    Muito bom o blog! Eu me confundo todo com essas coisas, a escola não mostra as coisas de modo cronológico, só isolado. Por isso eu resolvi nas minhas férias fazer um trabalho de revisão pra eu entender melhor a história da terra como um todo, e esse blog ajudou muito! Obrigado...

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    1. Muito bem! Realmente, há muita coisa para se aprender sobre o passado: essas postagens são apenas um resumo! Entender como a vida e o planeta evoluíram para formar o mundo que conhecemos é algo fascinante! Que bom que tenha gostado.

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  3. Quer fazer uma parceria com o blog Portal Pre-História? Visite o blog www.portalprehistoria.com, os contatos estão lá, valeu.

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